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Dificuldade em dizer não e impor limites: por que acontece?

  • Foto do escritor: Gustavo Aurélio
    Gustavo Aurélio
  • 30 de jul.
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 3 dias

como estabelecer limites sem culpa na prática


Dizer não parece simples, mas se temos dificuldade em dizer não, sabemos que na prática não é bem assim. Para muitos de nós, dizer sim, ao menos em certas situações ou com certas pessoas, acabou se tornando automático.


E seguindo com essa atitude, na interação com os outros surgem momentos em que novamente dizemos sim para mais uma demanda, para mais um favor, para mais um compromisso, mesmo quando por dentro o que existe não é a vontade de acatar.


Se isso nos soa familiar e sentimos que temos muita dificuldade para dizer não, é importante saber que essa dificuldade não é falta de força ou algo do tipo, mas um padrão de comportamento que se estabeleceu.


Ela costuma ser o resultado de uma longa história de situações com as quais aprendemos que nosso sim nos daria a aceitação dos outros, seu afeto e uma sensação de pertencimento.


De onde vem a dificuldade em dizer não?


A dificuldade em dizer não raramente nasce de um dia para o outro. Ela tende a ser construída ao longo da vida.


Aos poucos vamos nos acostumando com o lado aparentemente positivo que dizer sim tem, como a aceitação dos outros, a sensação de evitar conflitos, de sermos vistos como competentes, prestativos e confiáveis. Tudo isso nos dá uma sensação de segurança que, quando estabelecida, parece difícil de abrirmos mão.


Mas o problema é que o sim que expressamos nem sempre coincide com nossas vontades mais íntimas. Por isso, seu lado positivo é muitas vezes ilusório, temporário ou os dois.


Quando dizer sim para os outros é dizer não para você


Se não mudarmos nossa perspectiva, com o passar do tempo podemos gradualmente perder a clareza sobre o que realmente desejamos. Com isso, aos poucos, acabamos nos anulando.


Nossos amigos, colegas e familiares também podem se acostumar com a maneira de agirmos e ultrapassar limites na relação conosco, mesmo de forma não intencional. Afinal, limites somos nós quem estabelecemos, mas como fazer isso se nos habituamos a dizer sim o tempo todo?


Sem perceber, podemos passar a realizar os desejos dos outros sistematicamente e, confiantes, acreditar que esses são também os nossos desejos.


Isso aparece em cenas como quando ficamos até mais tarde no trabalho mesmo exaustos, quando aceitamos aquele convite que não queríamos para não desagradar, ou quando deixamos de falar o que nos machucou para não criar um conflito. Na hora parece mais fácil, mas depois, sozinhos, ficamos com aquela sensação de cansaço e de não termos nos escutado.


Caímos nessas situações porque, muitas vezes, esse comportamento foi uma estratégia importante no passado. Caso tenhamos aprendido que, para sermos amados e mantermos o vínculo, precisávamos nos adaptar e colocar o desejo do outro na frente.


Os episódios nos quais assimilamos essas experiências não foram necessariamente opressivas, autoritárias ou punitivas. O que influencia é como interpretávamos as vivências, que poderiam ter ocorrido de forma equivocada.


Como exemplo, uma criança que tem pais muito trabalhadores e que estão cansados. Nenhum deles disse que ela tinha que os agradar para ser amada. Mas ela, com 5-6 anos, percebia que quando ela não dava trabalho, quando tirava boas notas e dizia sim para tudo, os pais ficavam aliviados, sorriam. Assim, ela interpretava, de forma equivocada mas adaptativa, que se fosse boazinha e não incomodasse, seria amada e não seria um peso. Neste ponto, não houve opressão, mas uma leitura infantil de uma cena cotidiana.


O que um dia nos protegeu, hoje pode nos aprisionar.


Dar limites não é egoísmo, é ter respeito por si


Se isso ocorreu conosco, é comum vivermos entre dois polos. Em um estamos ressentidos, com a sensação de estarmos nos esforçando muito e sendo pouco reconhecidos. Em outro, ficamos resignados, aceitando vivências com um gosto de mais ou menos, como se a nossa própria vontade tivesse ficado em segundo plano, mais uma vez.


Colocar limites não significa perder prestígio. Pelo contrário, quem se respeita e reconhece seus próprios limites, inspira admiração e ensina, de forma indireta, como deseja ser tratado. O inverso também acontece.


É claro que nesse momento, nem sempre o outro reage bem de imediato, já que mudanças no vínculo costumam causar estranhamento. Mas isso faz parte natural do processo de aprender a colocar limites nos relacionamentos.


Como começar a estabelecer limites sem culpa? 3 exercícios práticos


Quando nos vemos nesse estado, o primeiro ponto não precisamos mudar tudo de uma vez, nem é o caso, mas sim nos perguntarmos com honestidade: é realmente esse o caminho que desejo para mim?


Vejamos:


1. Crie um intervalo antes de responder

Em vez de responder “sim” de imediato, podemos dar alguns minutos antes da resposta, comunicando que iremos pensar e que logo retornaremos. Esse intervalo nos permite que a vontade genuína se manifeste e, com ela em mente, possamos refletir com mais clareza antes de decidir.


2. Pergunte-se sobre seus próprios projetos

Temos desenvolvido projetos que são só nossos? Sabemos quais são os nossos desejos hoje e seguimos um plano para sua realização, ou eles ficaram soterrados na lista de demandas da vida? Esta percepção nos ajuda a ter mais claro o que efetivamente é prioritário.


3. Acolha a culpa sem obedecer a ela

Se o medo de dizer não e o sentimento de culpa aparecerem nesse caminho, lembre-se de que você tem tanto direito de desenvolver seus desejos quanto as pessoas para quem se dedica tanto.


A culpa não significa que estamos errando, enfrentá-la nos coloca diante do reconhecimento de um padrão antigo que agora está sendo rompido e essa ruptura pode, inicialmente, trazer insegurança.


O aprendizado de dizer “não” é, na verdade, o aprendizado de dizer um verdadeiro “sim” para nós mesmos.


Escrito por Psicólogo Gustavo Aurélio, CRP 06/90376

Psicoterapia on-line



Perguntas frequentes sobre dificuldade em dizer não


Por que sentimos tanta culpa ao dizer não?

Porque, muitas Dizer não vai afastar as pessoas?

Relações que só se sustentam porque nunca dizemos não são relações frágeis. Ao estabelecermos limites com respeito, não afastamos as pessoas certas, apenas filtramos as relações. Quem valoriza quem somos, permanece e aprende a respeitar nosso espaço.


Como saber se estou colocando as necessidades dos outros antes das minhas?

Alguns sinais são o cansaço constante, o ressentimento frequente, a dificuldade de lembrar o que gostamos de fazer quando estamos sozinhos e a sensação de que nossas próprias vontades ficam sempre para depois.



Este conteúdo é informativo e não substitui acompanhamento psicológico profissional.


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